Dia Mundial do Refugiado

Hoje, dia 20 de Junho é dia Mundial do Refugiado.

A APSS quer manifestar a sua solidariedade para com as pessoas em situação de refugiadas e perante tão grandes dramas pessoais, afirmar a determinação dos assistentes sociais a continuar a lutar pelos direitos humanos para tod@s sem distinção, em qualquer lugar ou situação onde exerçam a sua atividade profissional.

O texto com que queremos assinalar este dia e homenagear todas as pessoas que se encontram nesta situação dramática, é de uma colega que quotidianamente luta pela melhoria das condições de vida de alguns dos refugiados do nosso país, pequenas grandes tarefas que farão certamente a diferença na vida destas pessoas em sofrimento, vítimas de perseguição, violência e guerra.

#

«Mãe e agora para onde vamos? Não sei filho, mas a mamã deixou de trabalhar no hospital, o papá teve que fechar a loja e os manos não conseguem ir à escola. Mamã posso dizer-te uma coisa? Claro filho! Tenho medo, muito medo, já não posso jogar à bola com os amiguinhos lá fora, estou triste, parece que já ninguém sorri. Esta noite tive medo, pensei que viessem cá a casa e nunca mais te via. Não te preocupes filho, prometo que vamos para um sítio muito melhor e seremos felizes e tu continuarás a estudar para ser um grande arquitecto. Sim mamã, eu vou ajudar a construir um mundo melhor».

Este excerto poderia representar a vida de muitas pessoas. O medo, o terror, a angústia, o sofrimento são sentimentos que vigoram em diferentes partes do mundo.

Actualmente assiste-se a uma crise humanitária ou crise dos refugiados, porém atrevo-me a descrevê-la como uma crise de valores. Os princípios que construíram a Europa, tais como a solidariedade, o altruísmo, a dignidade humana, a igualdade e os direitos humanos estão a ser postos à prova.

É neste contexto que o serviço social abraça mais um desafio e tem como missão ajudar aquelas pessoas que procuram refúgio noutros países, por terem sido obrigados a fugir da sua terra natal.

Em Portugal, o Conselho Português para os Refugiados (CPR) tem como principal missão defender e promover o direito de asilo em Portugal através de actividades que visam o apoio jurídico, social e de emprego dos requerentes de asilo e refugiados, desde a fase do acolhimento até à sua integração na sociedade portuguesa. O CPR representa o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) desde o encerramento da sua delegação em Portugal, em 1998, sendo actualmente o representante e parceiro operacional do ACNUR.

Este Conselho tem dois centros de acolhimento temporário, um para adultos e famílias, na Bobadela e outro para menores não acompanhados, na Bela Vista. Nos dois centros são providenciados diferentes serviços, tais como: apoio jurídico, apoio social, apoio de emprego e formação de Português Língua Estrangeira.

O departamento social é constituído por uma equipa de assistentes sociais, que procuram diariamente satisfazer as necessidades básicas prementes que estas pessoas têm, através da promoção da recuperação da auto-estima e da dignidade humana, da capacitação para a autonomia e facilitação da integração em Portugal. É neste sentido, que os assistentes sociais actuam em diferentes áreas, tais como o alojamento, o apoio pecuniário, a alimentação, a saúde e a educação dos menores.

Assim e pretendendo analisar de forma holística as vulnerabilidades das pessoas, os assistentes sociais trabalham integrados numa equipa multidisciplinar.

A intervenção social inicia-se com a realização de uma entrevista, onde é produzido um diagnóstico da situação. Consequentemente elabora-se um plano de intervenção, conjuntamente com o próprio beneficiário, que seja adequado e ajustado às suas reais necessidades, bem como às competências pessoais e sociais que cada um possui. Procura-se com isto, responsabilizar pelo seu processo de integração.

Posto isto, importa inferir que se verifica a necessidade emergente de serem criadas metodologias específicas ao trabalho com este público-alvo, envolvendo a prolificação de redes de parceiros, onde se desenvolva um trabalho em rede. A meu entender, só desta forma, é que é possível aproveitar eficazmente todas as sinergias e recursos disponíveis na comunidade, bem como se estabelecerem boas vias de comunicação.

Cláudia Soares | Assistente Social | Conselho Português para os Refugiados

SEJA SÓCIO(A) DA APSS!

Contactos

APSS | Sede Nacional
Rua dos Jerónimos, 5
1400-210 Lisboa

91 226 98 93 | 21 361 40 13
Consulte os contactos das Delegações Regionais no separador "APSS - Delegações Regionais"

APSS © 2015 Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por Webnode